Todo este ACASO começou exatamente em 18 de outubro de 2000. Humaitá-Botafogo, no Espírito das Artes arriscava lançar o inocente “O Meu Reino de Poemas e Canções”. “Rimas fáceis e calafrios” cantaria a Adriana Calcanhoto se tivesse me assistido aquele dia. Como é bom ser jovem e poder errar sem culpa. O livro, no meu ver belo e inocente, abriu muitas portas e me fez descobrir um universo vivo e diverso de poemas e poetas. Caí na estrada falando meus versos para as estrelas e fui aprendendo a domar a palavra. No Rio de Janeiro, ainda era uma sombra vagando nos recitais sempre distante do palco. Em 2001, pelo correio “o meu reino” seguia em busca de novos palcos. Na Bienal da UERJ fiz o primeiro recital de um ano que prometia. Veio então o convite do Ademir Bacca para participar do IX Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. Pedi uma semana ao chefe no trabalho, que apenas me disse: “Não me importo que as pessoas persigam os seus sonhos e realizem os seus projetos pessoais. O importante é caçar o rato. Como você vai fazer isto, não me interessa. Só não quero que fique nada pendente por aqui.” E tranquei todos os ratinhos na gaiola nas semanas que antecederam outubro e me mandei para o Sul. O esquema de improviso do congresso foi um senhor aprendizado. Escolas, teatros, ruas, vidraças, praças. A poesia ganhou mil facetas naquela semana. Nunca fiz tantos amigos em tão curto espaço de tempo. De volta ao Rio, Jiddu Saldanha me levou ao Quarta Capa, Helena Ortiz ao Panorama da Palavra e encarei o palco aberto do CEP 20.000, onde “vomitei” alguns versos. 2002 já rolava e em junho o poema “Maria Teresa num templo da perdição” era selecionado entre os 60 semifinalistas do IV FestCampos de Poesia Falada e lá fui eu conhecer Campos e bradar meu poema. A poesia corria nas veias, enquanto me formava em Administração de Empresas, pela UERJ. O “reino de poemas e canções” ficava para trás e a Oficina de Poesia do Estação das Letras me ensinava a assassinar os maus poemas sem sentimento de culpa. Nesta maravilhosa escola, Lígia Nogueira me presenteou com o poema “Alvíssaras ao Novo”, que carinhosamente coloquei de recheio na quarta-capa deste livro. Em outubro, Bento Gonçalves foi novamente palco de farras poéticas e tempo de rever “os amigos que tínhamos e não conhecíamos”, como disse o mestre poeta Eliakim, de Roraima. Será que este também dava para cortar? (risos) Lá, lancei ao lado de mais quatro jovens poetas brasileiros (Fabio Rocha, Fellipe Cosme, Juliana Stefani e Jiddu Saldanha) o mini-cordel 5 poetas em amostra grátis, com o simples objetivo de pescar alguns leitores. 2003 vai se desabrochando com perfume de poesia e resolvi mandar mais um cartão de visitas por aí reunindo coisas escritas nestes últimos anos.
retirado do Prefácio do livro Acaso páginas 5 e 6
Pois é gente, estou voltando aos poucos com a poesia que andou com a divulgação meio parada nos últimos anos. Isso aqui parece que ficou meio às moscas. Entretando a poesia continuou viva. Novos versos, na minha opinião muito mais maduros, aguardam oportunidade nas gavetas. Neste tempo: até 2005 divulguei o Acaso; em 2006 publiquei uns inéditos na Antologia Poesia nos Arcos, organizada pelo Nilton Alves; em 2007 mais inéditos no volume 5 da Antologia Poetas do Brasil, organizada pelo Ademir Bacca; falei versos em alguns recitais, congressos e festivais; e ainda concluí um Mestrado em Administração Pública pela FGV/EBAPE, defendendo a dissertação: Inclusão Social por Meio de Atvidades Culturais. A vida segue e percebo que é fundamental plantar os poemas por aí. A gente se esbarra pelos caminhos. Abraços! (Rodolfo Muanis, Março de 2008)